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Na Igreja Católica, o casamento é um dos sete sacramentos. A liturgia pode compreender dois
rituais: a missa e o casamento, ou apenas o ritual do casamento. A data e o ritual escolhidos são marcados na
igreja mediante a apresentação dos documentos requeridos pela Cúria
Diocesana. A cerimônia consiste, essencialmente, em três etapas: a entrada do cortejo pela nave, a liturgia, a
saída dos participantes. As orações têm algumas partes tradicionais mas o ritual romano permite uma grande
liberdade de adaptação, complementação e acréscimos à liturgia do matrimônio. Por isso, se os noivos vão
imprimir o texto para distribuir entre a assistência, tratarão do assunto com o celebrante. O texto é um se o
casamento é celebrado em meio a uma missa, e outro se a celebração é sem missa.
Cortejo de entrada. Os convidados devem estar presentes antes de a noiva
entrar porque, juntamente com o sacerdote eles representam a Igreja que recebe o casal para a benção
matrimonial; devem se lembrar desse papel e de que estão assistindo a uma solenidade, e evitar muita
curiosidade e ruído de comentários à entrada do cortejo, e guardar a postura distinta e compenetrada que a
cerimônia exige.
Do lado esquerdo do corredor central, os bancos são destinados aos convidados da noiva; do
lado direito da entrada, aos convidados do noivo. Porém, lados contrários podem ser preenchidos na medida em
que isto se fizer necessário para que todos tenham assento. Alguém da família da noiva pode ficar encarregado
de receber os convidados à entrada e orientá-los quando ao lado que devem ocupar, indagando se são convidados
do noivo ou da noiva. Lugares podem ser reservados com uma etiqueta, para acomodação de convidados mais
importantes ou mais velhos.
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Fig. 1 |
O cortejo começa com a entrada dos casais de padrinhos, guardando entre eles a distância de
aproximadamente um quarto do caminho a percorrer (Fig. 1). Alternam-se os padrinhos do noivo e os padrinhos da noiva,
sendo de padrinhos do noivo o primeiro casal a entrar. Os casais, a mulher à esquerda do homem, se dirigem
respectivamente para o lado direito do altar, lado dito do noivo, ou para o lado esquerdo do altar, dito lado
da noiva, e tomam lugar nas cadeiras especialmente dispostas para eles, ou ocupam o primeiro banco dos que
ficam reservados aos padrinhos, na primeira fileira.
Ao final da entrada dos padrinhos, após a pausa suficiente para que o corredor fique livre,
entram a mãe da noiva de braços com o pai do noivo (Fig. 2), e se colocam próximo
ao altar, do lado esquerdo, voltados
para a assembléia. Novamente livre o corredor central, entra o noivo, de braço esquerdo dado à sua mãe.
Chegados ao altar, voltam-se para a assistência, posicionados à direita do corredor central do templo,
simetricamente e à mesma altura em que estão o pai do noivo e a mãe da noiva - a mãe um passo atrás e mais
próxima do altar que o noivo -, e passam a aguardar os demais participantes.
O sacerdote aparece e assume seu lugar tendo às costas o altar e à frente o genuflexório
para os noivos.
É costume, após a entrada do noivo e sua mãe, que a porta de entrada do templo seja fechada
por um instante, para caracterizar que toda a Igreja está pronta a receber a noiva. Pai e filha esperam que
seja aberta a porta do templo e o órgão anuncie a todos que a noiva está entrando. Reaberta a porta, a noiva
entra de braços com o pai (Vide abaixo o subtítulo De que lado entra o pai da noiva?)
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Fig. 2 |
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A entrada da noiva é marcada pela marcha nupcial, e deve caminhar a passos lentos,
coincidentes com os acordes que terminarão ao mesmo tempo de sua chegada ao altar.
Crianças com vestidinhos longos de seda e brocados, terninhos ou fraque infantil, que
caminham à frente da noiva e seu pai como damazinhas e pajens (Fig.3), geralmente criam simpatia e descontração na
assistência. Podem levar uma almofada ou uma cestinha com as alianças, a menina um buquê para entregar a
noiva, se esta desejar, após a benção nupcial, depositar um buquê de flores em um dos altares laterais,
geralmente aos pés de um quadro ou escultura de Maria, mãe de Jesus. As crianças substituíram as jovens
casadoiras (as clássicas demoiselles d'honneur),e os jovens pajens imberbes (garçons d'honneur)
que antigamente faziam esse papel.
Ao aproximar-se a noiva, o noivo beija sua mãe como despedida, e avança um ou dois passos
para receber a noiva.
Diante do noivo(Fig.4), o pai da noiva também se despede da filha, beijando-lhe a testa depois de
alçar levemente o seu véu, e em seguida cumprimenta o noivo. Faz um gesto discreto de entrega da filha, e
encaminha-se para onde está sua esposa. O noivo apresenta o braço esquerdo à noiva e a conduz ao altar. O
casal se posta diante do genuflexório e do sacerdote.
Após o encontro com o noivo, a noiva se afasta, levada por ele – que lhe dá o
braço esquerdo, ressalvadas as exceções acima mencionadas –, e seu pai deve passar
para o lado esquerdo da nave, reservado, como dito, à família
da noiva e seus convidados.
Um vestido de noiva de cauda longa pode requerer
redobrada atenção por parte do pai
da noiva, quando passa da direita para a esquerda. Ele deve aguardar
por um instante que os noivos avancem para o altar. Deste modo o vestido longo da noiva não impedirá
sua passagem para o lado esquerdo, onde irá
sentar-se. Porém, se o espaço entre os bancos e o altar for muito pequeno, ou a cauda muito longa, é provável
que o avanço dos noivos não seja suficiente para deixar livre o caminho. Neste caso o pai não pula a cauda do
vestido da noiva mas a contorna ou, como dito, o casal faz a opção de entrar o pai pelo lado esquerdo.
O pai da noiva junta-se a sua esposa
(Fig. 5) ficando no lugar em que estava o pai do noivo e este
passa discretamente para o outro lado, tomando lugar à direita de sua mulher, que havia ficado só quando o
filho encaminhou-se para encontrar a noiva. Os dois casais encaminham-se para os respectivos lugares que
poderão ser cadeiras colocadas ao lado do altar, no presbitério onde
ja se encontram, ou os dois primeiros assentos de cada lado do
corredor central, no primeiro banco de cada lado, o homem na ponta
externa e a mulher junto a ele, no lado interno.
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Fig. 3 |
De que lado entra o pai da noiva?
Respondo a essa pergunta primeiro valendo-me da minha própria
experiência. Nos casamentos de minhas três filhas (dois
nos Estados Unidos e um na Europa), os vigários me colocaram à direita, dando eu o meu braço esquerdo à noiva.
Esta é também a posição que observei em vários casamentos que assisti,
excetuados alguns em que o pai da noiva, ou o noivo, era militar de
uma das três armas e usava farda de gala na cerimônia.
As razões que conheci para a posição do pai à
direita da filha no cortejo de entrada do casamento, dando a ela seu
braço esquerdo – e que me parecem boas
razões – são as seguintes:
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É prática em algumas comunidades católicas mais tradicionalistas
(Eu a presenciei, e creio que perdurou
ainda por muitos anos, na igreja dos metalúrgicos luxemburgueses em
João Monlevade, Minas Gerais), que fique reservado aos homens o lado
direito da nave, e às mulheres o lado esquerdo. Esta disposição já foi norma do
Direito Canônico, hoje em desuso. Ela é, com certeza, a origem desse
costume de os convidados do noivo (predominantemente homens) se
sentarem no lado direito e os convidados da noiva (predominantemente
mulheres) no lado esquerdo da igreja –, mas já não importa o sexo
e um casal não se separa por essa razão. Se na celebração essa tradição
for respeitada (geralmente alguém da família orienta os convidados a
esse respeito, à porta do templo), então a noiva pode sorrir para suas
amigas e amigos, e ser melhor vista por elas e eles se vem do lado
esquerdo de seu pai, no cortejo de entrada. No cortejo de saída virá
pelo mesmo lado, estando à direita do noivo;
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Tendo a noiva à sua esquerda, o pai tem o braço
direito livre para cumprimentar o noivo ao alcançá-lo junto ao altar.
Como visto acima, o pai, ao chegar próximo do noivo, volta-se para sua
filha, afasta o seu véu e beije-lhe a testa, e em seguida se volta
para o noivo e o cumprimenta, e depois faz um discreto gesto de
apresentação ou entrega da filha, afastando-se após esse procedimento;
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Pode ser considerado pouco respeitoso o noivo aguardar a noiva dando ele as costas ao altar ou ao
sacerdote, de modo a estar de frente ao pai da noiva e cumprimentá-lo,
se o pai vem pelo lado esquerdo rumo ao presbitério. O
lugar do noivo, como visto, é de pé frente ao primeiro banco à direita, e observa a aproximação da noiva
posicionando-se obliquamente ao corredor central, sem chegar a dar as costas para o altar – o ponto mais
sagrado do templo –, ou postar-se à frente do celebrante, que é a figura máxima da liturgia.
Nos casamentos mais simples, em que cumprimentar o
noivo não faz parte do protocolo, então o pai pode perfeitamente
entrar pelo lado esquerdo da noiva, se esta for a preferência do cerimonialista
ou dos próprios noivos. Porém o gesto de cordialidade para com o noivo
me parece simpático, como sinal de que o pai está feliz com a escolha
feita por sua filha;
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Fig. 4 |
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Quando conduz pelo braço uma mulher, em geral o
homem procura tê-la à sua esquerda, a fim de ter a mão direita livre
para abrir uma porta, tirar o chapéu para cumprimentar
alguém, ou estendê-la para receber um aperto de mão (e a isto, a
mulher não está obrigada). Embora estes não sejam gestos esperados em
um cortejo, não há porque não prevalecer o que é habitual, isto é, dar
à mulher (no caso a noiva) seu braço esquerdo.
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Os cerimonialistas no entanto reconhecem as exceções obviamente
necessárias a prática referida como, por exemplo, quando o pai, ou o noivo, é um militar ou um príncipe, e
está fardado (pode ter um espadachim do
lado esquerdo). Neste caso o noivo aguarda no lado direito da nave,
mas passa para o lado esquerdo ao conduzir a noiva ao altar, e no cortejo o pai também entra pelo lado esquerdo e
dá o braço direito à filha, e ambos fazem um giro e se colocam frente
ao noivo para o cumprimento do pai, sem aquele necessitar sair de seu
lugar.
Esta pode ser também a melhor solução quando o vestido da noiva é
excepcionalmente comprido.
Mas parece que não há unanimidade a respeito. Em
vários casamentos vi a noiva entrar em posição contrária, à direita, o
pai dando-lhe o braço direito, sem que estivesse fardado. Também nos
livros especializados encontrei as duas formas. Alguns autores importantes como Amy Vanderbilty e Emily Post colocam o pai da noiva no lado
esquerdo do cortejo, porém não explicam porque fazem isto. Mas outros,
igualmente famosos, colocam o pai do lado direito da noiva: por exemplo Marcy Blum,
duas vezes apontada "a melhor planejadora de casamentos" pelo New
York Magazine. Uma pesquisa na Internet com certeza revelará a mesma
divergência.
Porém, estará mais ao gênio dos brasileiros a liberdade de organizar sua festa de
casamento inteiramente ao seu gosto, livre de tradições e de regras, e de acordo com sua própria imaginação ou
segundo a criatividade do cerimonial contratado. Nada impede – nem a Igreja recusará, acredito –, quaisquer variações, desde que o
rito religioso seja encaixado na cerimônia de modo respeitoso e contenha as palavras de fé e compromisso
indispensáveis.
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Fig. 5 |
Liturgia. Os noivos ficam de pé frente ao sacerdote, ou de
joelhos em um genuflexório geralmente adornado disposto frente ao altar. Os pais e os padrinhos ocupam
cadeiras dispostas à esquerda e à direita do altar ou simplesmente o primeiro banco do lado esquerdo, lado da
noiva e seus convidados, e lado direito, lado do noivo e seus convidados.
O sacerdote dá início à parte
litúrgica com palavras de boas vindas e enaltecimento do valor do matrimônio.
Quando o rito do matrimônio está inserido no ritual da missa, um padrinho do
noivo faz a primeira leitura. Pode fazer-se acompanhar da esposa, e os dois se alternarão na leitura dos
parágrafos. Concluem em uníssono : "Palavras do Senhor".
A segunda leitura é feita de igual modo, por um padrinho ou casal de padrinhos
da noiva.
O sacerdote lê o evangelho e faz a prédica. Terminado o seu sermão, anuncia o
ritual do casamento.
Algumas frases que o noivo e a noiva deverão pronunciar na parte litúrgica, eles
precisam decorar ou pelo menos familiarizarem-se com elas, a fim de poderem repeti-las em voz alta, ouvindo o
sacerdote sussurrar-lhes como um ponto de teatro.
Depois que os noivos pronunciam seu compromisso mútuo, o sacerdote solicita as
alianças. A damazinha ou o pajem que as trouxe aproxima-se para entregá-las ao sacerdote. Depois de
abençoá-las, o sacerdote as passa aos noivos para que as coloquem respectivamente no dedo anelar.
Após colocadas as alianças, o padre convida os noivos a que se beijem como
indicação do seu amor.
Reinicia-se a liturgia da missa, com o credo e a oração universal..
Após a comunhão, se os
recém-casados desejam levar um buquê de flores a um altar lateral,
poderão fazê-lo; uma das madrinhas ou a damazinha das flores lhes traz o ramalhete.
Após essa oferenda, breve tanto no gesto quanto na oração silenciosa que desejem fazer,
retornam ao seu lugar junto ao genuflexório para receberem a benção final
da cerimônia.
Assinaturas e fotos. Terminada a missa, são assinados os papeis
pelos noivos e pelos padrinhos, sobre o altar ou sobre uma mesinha disposta lateralmente, numa das pequenas
naves laterais.
Segue-se uma breve sessão de fotos, compreendendo o momento da assinatura e um
posicionamento dos recém-casados, a sós e com seus pais diante do altar. A assistência permanece em seu lugar,
aguardando o cortejo de saída. Não é o momento para fotos com parentes e amigos, o que será feito mais tarde,
na recepção.
Cortejo de saída. Terminadas as fotos com os pais diante do altar,
o noivo dá o braço esquerdo à noiva, e descem ao átrio, atravessando o templo rumo à porta principal. A ordem
em que os participantes deixam o altar é inversa da ordem de chegada. À frente caminham pela nave os
recém-casados. Logo se lhes seguem os pais da noiva, os pais do noivo e os casais de padrinhos, que deixam os
bancos da esquerda e da direita, alternadamente, e se encaminham, bem próximos uns dos outros, para a entrada
principal. Como o pai da noiva agora está livre para fazer par com sua esposa, e a mãe do noivo também, não há
mais a necessidade da cortesia feita à entrada, quando o pai do noivo conduziu pela nave a mãe da noiva.
Recebendo os cumprimentos. Os convidados precisam de uma
oportunidade para cumprimentar os recém-casados e estes, e seus familiares, precisam de uma oportunidade para
agradecer a presença de todos na cerimônia. As alternativas para isso são, (a) receber os cumprimentos na
igreja, posicionando-se em uma "fila de cumprimentos" tanto os que receberão os cumprimentos quanto os que
irão apresentá-los; (b) receber os cumprimentos sem fila organizada, dentro ou fora da igreja, e isto vai
melhor quando se abre mão do cortejo de saída; ou (c) deixar para receber os cumprimentos e efetuar os
agradecimentos na recepção.
A fila de cumprimentos pode ser disposta ainda no interior da igreja, próxima à
porta, ao final do corredor central, caminho de saída dos convidados. Desde que os integrantes da fila, tanto
os que recebem como os que apresentam os cumprimentos, estejam conscientes de que devem usar poucas palavras,
a fila de cumprimentos se move sem problemas e não se torna aborrecida para ninguém. Tradicionalmente, esta é
a ordem em que se dispõe os noivos e seus familiares: a mãe seguida do pai da noiva, a mãe do noivo seguida do
pai, a noiva e o noivo.. Esta ordem reflete o fato de que os convites para a cerimônia foram feitos pelos pais
da noiva e do noivo, e portanto em todos os eventos da celebração abrangidos pelo convite eles é que são os
anfitriões, - com prioridade para os pais da noiva - e portanto são os primeiros a receberem os cumprimentos,
e não os recém-casados.
O pai da noiva e o pai do noivo poderão não participar da fila de cumprimentos,
a fim de que esta flua mais rapidamente, quando na igreja ou, se os cumprimentos são na entrada da recepção,
porque sua presença no salão pode ser necessária como anfitriões para os convidados que já estão a buscar os
seus lugares e são servidos de aperitivos. Neste caso, na frente da fila de cumprimentos posta-se a mãe da
noiva, depois a mãe do noivo, esta seguida da noiva e do noivo.
No entanto, pode ser dispensado o cortejo de saída na igreja e assim fica
dispensada também a linha de cumprimentos. Neste caso os recém-casados receberão ainda ao pé do altar os
cumprimentos de seus pais e padrinhos. Os presentes abandonam seus lugares para cumprimentá-los e seus
familiares, sem no entanto monopolizar sua atenção com uma conversa prolongada, a fim de dar vez a todos.
Rubem Queiroz Cobra
Lançada em 05/10/2003
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